Cancro do pulmão epidermoide avançado: Uma nova opção terapêutica
08/04/2021 15:35:39
Dr. Fernando Barata, diretor do Departamento de Oncologia do Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra (CHUC)
Partilhar por emailShare on Google+Partilhar no facebookPartilhar no linkedinPartilhar no twitter
Cancro do pulmão epidermoide avançado: Uma nova opção terapêutica

Leia a análise do diretor do Departamento de Oncologia do Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra (CHUC), Dr. Fernando Barata, sobre os resultados do estudo KEYNOTE-407 divulgados no European Lung Cancer Virtual Congress 2021.

O estudo KEYNOTE-407 comparou, no carcinoma do pulmão de células não pequenas, avançado ou metastático, de histologia epidermoide ou escamosa, a associação de pembrolizumab e quimioterapia (carboplatinio junto com paclitaxel ou nab-paclitaxel) versus o mesmo dupletode quimioterapia isolado.

Na avaliação final, em maio de 2019, constatou-se uma melhoria estatisticamente significativa na sobrevida global a favor da combinação imunoterapia + quimioterapia, com uma diminuição do risco de morte de 29%.

No entanto, resultados partilhados de 25 a 27 março, no European Lung Cancer Virtual Congress 2021, com três anos de seguimento, mantêm a confirmação de melhor sobrevida e taxa de resposta com a associação pembrolizumab com quimioterapia versus a quimioterapia isolada. Alguns doentes cumpriram 35 ciclos ou aproximadamente dois anos de pembrolizumab.

O estudo comparou 278 doentes com pembrolizumab, na dose de 200 mg, associado a quimioterapia a cada três semanas, por quatro ciclos, seguido de pembrolizumab, até um total de 35 ciclos versus 281 doentes com quimioterapia, por quatro ciclos, seguido de placebo (standard of care). A quimioterapia consistiu de carboplatinio com um taxano (paclitaxel ou nab-paclitaxel). O estudo randomizado e duplamente cego estratificou os doentes de acordo com o uso de paclitaxel ou nab-paclitaxel, asiático ou não asiático e a expressão de PDL1 (positiva versus negativa).

Quanto aos resultados, dos 55 doentes que completaram os 35 ciclos de pembrolizumab, a taxa de resposta foi de 92,7%, o que inclui cinco doentes com resposta completa, 46 com resposta parcial e quatro com estabilidade. A incidência de qualquer efeito adverso grau 3-5 foi semelhante em ambos os braços, com 74,8% com pembrolizumab e quimioterapia e 70% apenas com quimioterapia.

O carcinoma do pulmão de células não pequenas de histologia epidermoide ou escamosa representa cerca de 25% a 30% entre os tumores malignos do pulmão. São tumores habitualmente de localização central, com forte relação com hábitos tabágicos. Os sintomas mais frequentes são tosse, com expetoração muitas vezes com sangue ou hemoptoica. Numa fase mais avançada, o metastizado pode cursar com queixas gerais importantes, como perda de apetite e peso. O diagnóstico, face à localização em tomografia axial computorizada, pode ser obtido por broncoscopia ou por biópsia aspirativa transtorácica. À data de hoje não se conhecem terapêuticas alvo para este tipo de tumor, pelo que nos últimos anos a quimioterapia era a principal opção terapêutica seguida, recentemente, pela imunoterapia.

Este estudo, associando, em primeira linha, imunoterapia com quimioterapia demonstrou claro benefício versus a quimioterapia. Sabemos que não podemos realizar esta associação em todos os doentes, pois nem todos possuem as condições gerais clínicas e analíticas para o fazer. A decisão individualizada caberá ao médico do doente, à equipa multidisciplinar onde está integrado e a si, após completo esclarecimento do diagnóstico e das várias opções terapêuticas. 


Pesquisa