A inovação é crítica para o crescimento económico e progresso em todas as indústrias. Para um observador menos atento, a inovação motivada pela tecnologia pode parecer aleatória, mas, ao observar o panorama geral, evidencia-se um padrão mais dramático: a inovação processa-se de modo exógeno à economia, sendo mais provável de se desenvolver durante tempos economicamente desafiantes. A crise económica proporcionou assim a incrementação da inovação em várias indústrias, uma das quais a da saúde.
Desde o início da década de setenta do século XX que se sabe que os coronavírus são responsáveis por uma grande variedade de doenças em animais domésticos, a grande maioria provocando sintomas gastrintestinais agudos, como enterites e gastrenterites, e alguns causando doença respiratória, doença do fígado e do cérebro mas, até ao início do século XXI, nunca lhes foi dada grande atenção como causadores de doença em humanos.
Há algumas frases lapidares que não esquecemos e nos guiam na nossa vida profissional. Como médico, nunca esqueci aquela de William Osler: “Se ouvirmos o doente, ele diz-nos o diagnóstico”. É uma máxima curiosa. Sugere que o doente joga com o médico uma espécie de charada, em que a solução é o seu próprio diagnóstico, só encontrado com a audição atenta da sua mensagem encriptada.
Desde o ano passado, os internistas portugueses reivindicaram para si o mês de dezembro. Fizeram-no, e foram compreendidos pelos doentes e seus familiares. Sabem que em dezembro começa um período de trabalho ainda mais exigente para a Medicina Interna.