Daratumumab: uma nova possibilidade de tratamento no mieloma múltiplo
19/11/2016 10:54:40
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Daratumumab: uma nova possibilidade de tratamento no mieloma múltiplo

Moderado pela Dr.ª Fernando Trigo e pelo Prof. Doutor Paulo Lúcio, o simpósio da Janssen, subordinado ao tema “Daratumumab: from a new target to new possibilities”, recebeu a participação da Prof.ª Doutora Maria Victoria Mateos, professora associada na Universidade de Salamanca e responsável pelo Departamento de Mieloma no Hospital Universitário de Salamanca. Em entrevista à News Farma, a conceituada especialista, que tem, no seu currículo, mais de 150 artigos publicados em revistas de renome, descreveu os mecanismos de ação de daratumumab, “o primeiro anticorpo monoclonal que se dirige ao antigénio CD38”. Este fármaco demonstrou ser uma estratégia “eficaz, em monoterapia, no grupo de doentes com mieloma múltiplo (MM)”.

Daratumumab tem indicação no tratamento de doentes que receberam, pelo menos, três linhas prévias de tratamento, incluindo um inibidor de proteossoma e um IMiD, ou em doentes duplamente refratários a estas duas classes de fármacos, independentemente do número de linhas de tratamento anteriores.

O daratumumab é um anticorpo monoclonal humano anti-CD38 – “um antigénio expressado na superfície das células plasmáticas”. A especialista explicou que, praticamente a totalidade de doentes com MM “expressa CD38 na superfície das células plasmáticas”.

Segundo esclareceu a especialista, o CD38 é um antigénio que se expressa “de forma ampla por outras células do nosso organismo”. A Prof.ª Doutora Maria Victoria Mateos acredita que, futuramente, este fármaco, aprovado para o MM, poderá receber novas indicações, não só neoplasias hematológicas, mas também “tumores sólidos”.

A palestrante esclareceu que “daratumumab, que se liga ao CD38 – expressado na superfície das células plasmáticas, possui mecanismos de ação comuns a outros anticorpos monoclonais dirigidos contra o CD38”. No entanto, a Prof.ª Doutora Maria Victoria Mateos acredita que este agente possui um mecanismo de ação adicional, caracterizado por um efeito imunomodulador.

Portanto, e na opinião da especialista, daratumumab possui “um triplo mecanismo de ação”, porque, além do efeito imunomodulador, “induz a apoptose direta das células plasmáticas e uma citotoxidade mediada pela união do anticorpo ao antigénio”. Nas palavras da especialista, “a junção destes três mecanismos de ação justificam, pelo menos parcialmente, a elevada eficácia de daratumumab em monoterapia”.

Ensaios clínicos

Com base em dois ensaios clínicos de fase 1/2 (GEN501) e fase 2 (SIRIUS), que incluíram uma amostra total de 150 doentes com MM, o daratumumab, na dose de 16 mg/Kg foi aprovado pela Food and Drug Administration (FDA) em novembro de 2015 e pela Agência Europeia do Medicamento (EMA), em abril de 2016. Ambos os ensaios incluíram doentes com MM (em recaída/refratários) previamente tratados com outros fármacos.

“A eficácia de daratumumab foi extensivamente avaliada em ensaios clínicos, com resultados consistentes em todos os subgrupos”. Especificamente em relação aos dados dos ensaios clínicos, a Prof.ª Doutora Maria Victoria Mateos lembrou que “a mediana de sobrevivência global foi de 20 meses”, segundo o estudo, publicado este ano na revista Blood (por Usmani S et al.).

O mesmo trabalho, que reuniu os resultados dos dois ensaios de daratumumab em monoterapia, revelou uma taxa de resposta objetiva (ORR) de 31%, sendo esta resposta rápida, duradoura e profunda. O que também se demonstrou foi que 56,5% e 45% dos doentes permaneciam vivos ao final de 18 meses e 24 meses, respetivamente.

Quanto à segurança com daratumumab, a especialista alertou para a ocorrência de reações infusionais, sendo este um efeito (na maioria dos casos de grau ligeiro), que acontece após a primeira infusão. “Para que tal não aconteça, os médicos devem respeitar os requisitos pré e pós medicação, cumprindo o ritmo de infusão, que está descrito no resumo das características do medicamento.”

Como notas finais, a especialista acredita que é possível antecipar a administração deste fármaco, incluindo-o em linhas mais precoces de tratamento. “Todos os doentes em fases precoces beneficiam com este fármaco. Este fármaco, que funciona nas fases mais críticas do MM, também atuará em fases mais precoces. É lógico e, ao longo do tempo, conseguiremos comprovar que este tratamento pode ser oferecido a todos os doentes com MM.”

As séries, que incluíram doentes em primeira recaída, cujos resultados já foram publicados no New England Journal of Medicine (daratumumab em associação com outros fármacos) e doentes com diagnóstico de novo (amostra ainda é pequena neste grupo), mostraram que “todos os doentes responderam a daratumumab.”

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