Novas abordagens de tratamento da leucemia linfocítica crónica
18/11/2016 16:16:10
Partilhar por emailShare on Google+Partilhar no facebookPartilhar no linkedinPartilhar no twitter
Novas abordagens de tratamento da leucemia linfocítica crónica

Intitulado “Ibrutinib as new therapeutic approach for CLL: how I treat my patients”, o simpósio da Janssen, moderado pelo Drs. João Paulo Fernandes e José Pedro Carda, contou com a preleção do Prof. Doutor Paolo Ghia, professor associado de Medicina Interna e de Hematologia na Università Vita-Salute San Raffaele, em Itália, que abordou o papel do fármaco neste contexto clínico.

Começando pelos dados de ensaios clínicos, o Prof. Doutor Paolo Ghia indicou que o estudo CLL8 “mostrou, pela primeira vez na história, que o esquema de combinação com fludarabina/ciclosfofamida e rituximab (FCR) versus FC (fludarabina/ciclosfofamida) aumentou a sobrevivência global (OS) na LLC”.

“Porém, a maioria dos doentes têm uma mediana de idade ao diagnóstico de 72 anos e mais de 19% dos doentes têm comorbilidades que impedem o tratamento com FCR. A utilização da combinação de FCR em doentes com mais de 65 anos está associada a uma maior frequência de efeitos adversos de grau 3 e 4”, referiu o especialista.

O estudo CLL11 (fase III) demonstrou que, em doentes idosos e com comorbilidades (unfit), a combinação de clorambucilo + anti-CD20 (rituximab ou obinutuzumab) versus clorambucilo em monoterapia aumentou a sobrevivência livre de progressão (PFS), o que se traduziu também em benefícios da sobrevivência global.

Novos agentes

“Além da quimioterapia ou imunoquimioterapia temos agora novas moléculas que demonstraram eficácia na LLC”, adiantou o especialista, citando os dados do estudo RESONATE-2, que comparou o ibrutinib versus clorambucilo em doentes com mais de 65 anos, não previamente tratados com nenhuma outra opção terapêutica”.

O estudo revelou uma taxa de resposta objetiva com ibrutinib, aos oito meses, de 82% versus clorambucilo (30%). “Este trabalho mostrou que uma proporção de doentes (>10%), tratado com ibrutinib em primeira linha, atingiu uma remissão completa.” Os resultados deste ensaio clínico, que mostrou um benefício claro com ibrutinib na PFS, evidenciaram uma taxa de sobrevivência global aos dois anos de 98% com ibrutinib versus 85% com clorambucilo.

As guidelines da ESMO 2016, atualizadas recentemente, já incluem, no algoritmo de tratamento o ibrutinib (ou clorambucilo + anti-CD20) como primeira linha de tratamento em doentes com LLC “less fit”, mesmo sem deleção 17p ou mutação TP53. Por outro lado, para os doentes fit sem del17p ou mutação TP53, a árvore de decisão terapêutica contempla a utilização de FCR (ou bendamustina + rituximab [BR] em doentes idosos com história prévia de infeções).

Tendo em conta as mesmas recomendações de tratamento, os doentes com presença da del17p ou mutação TP53 (“classificados como doentes de alto risco”) são candidatos a terapêutica de primeira linha com ibrutinib ou idelalisib + rituximab.

Evidências com ibrutinib

Uma análise cruzada de vários estudos com ibrutinib, que incluiu uma amostra 243 doentes com LLC (em recaída/refratários) e com deleção 17p, mostrou que “a taxa de resposta a este inibidor da tirosina cinase de Bruton rondou os 80-90%”, incluindo remissões completas.

Estes dados, segundo reforçou o Prof. Doutor Paolo Ghia, traduzem o benefício de ibrutinib neste subgrupo de doentes. Este trabalho também mostrou que 55% dos doentes alcançaram uma PFS ao final de 2,5 anos. “Dois terços dos doentes (em recaída ou refratários) permaneciam vivos ao final de 2,5 anos”, completou o especialista, acrescentando que, no geral, “os doentes respondem rapidamente ao tratamento com ibrutinib”.

Quanto aos efeitos adversos, o preletor mencionou que “a maioria destes acontecimentos são geralmente de grau 1 e não implicam a descontinuação do tratamento”.

A fadiga, as náuseas, os vómitos e as citopenias ocorreram com maior frequência no braço do clorambucilo versus ibrutinib. Relativamente à diarreia), o especialista esclareceu que este efeito adversos relacionado com o tratamento com ibrutinib poderá afetar até 50% dos doentes, mas, geralmente, “num grau ligeiro (G 1/2)”.

Em suma, o especialista concluiu que “o ibrutinib é um fármaco com um perfil de tolerabilidade favorável”, em comparação com a imunoquimioterapia. Mas deixou uma advertência: “Este fármaco [ibrutinib] poderá estar associado ao aparecimento de infeções, o que nos obriga a estar atentos a esta situação.”

A Agência Europeia do Medicamento (EMA) recomenda e reforça a profilaxia e a monitorização de infeções – antes e durante o tratamento com estas novas moléculas –, uma vez que “mais de 1/3 dos doentes com LLC em recaída/refratários podem desenvolver infeções”.

Vídeo

Pesquisa

Reunião Anual da SPH