Num comunicado divulgado à comunicação social, a presidente da SPEO, a Prof.ª Doutora Paula Freitas, considera que “a ideia estigmatizante de que a pessoa com obesidade é responsável pela sua condição, por ser “preguiçosa” ou não ter autocontrolo, retira o profissional de saúde da equação da eficácia do tratamento, responsabilizando unicamente a pessoa pelo sucesso do mesmo”. Para a especialista, “isto só contribui para o aumento dos níveis de obesidade e para o atraso e insucesso do tratamento”.
Por isso, a presidente da SPEO considera que se deve “lutar para que todos os profissionais de saúde tenham acesso a formação especializada em tratamentos eficazes, para que adotem um discurso não estigmatizante e para que todos os indivíduos com sobrepeso tenham acessibilidade plena ao tratamento integral da obesidade”.
Apesar de reconhecer que muito já se tem feito para melhorar o acesso às cirurgias bariátricas, indicadas na obesidade mórbida, a Prof.ª Doutora Paula Freitas refere que é necessário “tratar a obesidade desde a fase inicial”. “Para que isto aconteça, é urgente que terapêutica farmacológica seja comparticipada e, assim, acessível a todos”, considera, referindo que “é preciso acabar com o estigma da obesidade e promover o acesso a todos os tratamentos desta doença”.
Os números da obesidade
Segundo um estudo do Instituto de Saúde Pública da Universidade do Porto (ISPUP), estima-se que, em Portugal, mais de metade da população, mais de seis milhões de pessoas, tenha obesidade ou pré-obesidade. A doença está associada a um decréscimo da esperança média de vida e da qualidade da mesma, estando associada a problemas de saúde, como diabetes mellitus tipo 2, hipertensão arterial, dislipidemia, outras doenças metabólicas, respiratórias, cardiovasculares, ósseas e vários tipos de cancros.
Dado o panorama da doença, a presidente da SPEO considera que “a responsabilidade da obesidade deve ser partilhada pela sociedade”, sendo necessário “um apoio positivo e uma narrativa de responsabilidade de todos os profissionais de saúde e da sociedade em geral de modo a aumentar a eficácia dos cuidados de saúde das pessoas com excesso de peso e obesidade”.
Para a especialista, “prevenir e tratar a obesidade significa ter uma sociedade mais saudável e com uma vida mais longa”. Por outro lado, “significa ainda menos custos para os sistemas de saúde – estima-se que os custos direta e indiretamente associados à obesidade estão na ordem dos 300 mil euros por ano em Portugal, sendo que a nível europeu, o peso da obesidade pode ultrapassar 10 mil milhões de euros em custos de saúde”. Neste sentido, a Prof.ª Doutora Paula Freitas refere que “é preciso mostrar às entidades de saúde competentes e aos políticos o impacto económico da obesidade, quer os custos diretos quer indiretos, que a curto e a longo prazo, são maiores do que disponibilizar tratamentos adequados mais precocemente e antes que as múltiplas complicações associadas à obesidade se instalem”.
“Uma vez que está comprovado, por vários estudos de relevo, a perda de peso, mesmo que na ordem dos 5% a 10%, pode trazer benefícios para a saúde, reduzindo o risco de diabetes tipo 2 e de doenças cardiovasculares, melhorando a pressão arterial e reduzindo a gravidade de apneia do sono, tratar farmacologicamente, através de inibidores de apetite, a obesidade desde as fases iniciais, é promover a curto e longo prazo a saúde geral dos individuais”, conclui a Prof.ª Doutora Paula Freitas.

















