Entre 7 e 12 de outubro, vai decorrer, na Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra (FCTUC), a reunião final da Raman4Clinics, da qual fazem parte estes investigadores portugueses.
Durante o encontro, os vários grupos de trabalho vão apresentar e discutir os avanços obtidos nos últimos três anos, bem como o impacto da aplicação da técnica junto dos utilizadores finais, como médicos e doentes, em meio hospitalar. Além de poderem assistir a palestras, os participantes podem ainda participar em sessões práticas “hands-on”.
A espectroscopia de Raman é uma técnica ótica de alta resolução, que através da incidência de radiação (luz) sobre uma qualquer amostra consegue obter informação química em poucos segundos. Ou seja, fornece informação acerca dos compostos presentes na amostra analisada.
É uma técnica “não invasiva, muito útil e vantajosa para a clínica, especialmente para o diagnóstico precoce de múltiplas patologias, nomeadamente doenças infecciosas, vários tipos de cancro de baixo prognóstico e bactérias hospitalares resistentes a antibióticos. Trata-se de uma técnica muito rigorosa que fornece informação imediata. Os doentes não têm assim que aguardar dias ou semanas pelos resultados de biópsias”, explicam os investigadores.
Também revela ser uma ferramenta versátil e vantajosa do ponto de vista económico, podendo ser “muito útil em cirurgias extremamente delicadas”.
Questionados sobre as causas que travam a translação da técnica para a clínica, o Dr. Luís Batista de Carvalho e a Dr.ª Maria Paula Marques alegam “desconhecimento”.
“É preciso quebrar barreiras e explicar aos clínicos que a espectroscopia de Raman evoluiu muito nos últimos anos. Por exemplo, existem atualmente aparelhos de Raman portáteis, muito versáteis para utilizar em ambiente hospitalar e no teatro operatório, e as imagens obtidas são de fácil interpretação”, adiantam.
Neste sentido, a equipa de cientistas está já a idealizar um projeto de investigação pioneiro em Portugal, em parceria com o IPO Coimbra. O Vibs on Cancer visa a aplicação da espectroscopia de Raman em diagnóstico médico, especificamente na deteção precoce de tipos de cancro de baixo prognóstico.
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