Hepatite C: nos últimos três anos foram curados em Portugal mais de 10 mil doentes. Mas existem queixas de atrasos no acesso à medicação
27/07/2018 15:54:16
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Hepatite C: nos últimos três anos foram curados em Portugal mais de 10 mil doentes. Mas existem queixas de atrasos no acesso à medicação

Os números avançados pelo Infarmed mostram que foram realizados mais de 20 mil tratamentos no Serviço Nacional de Saúde (SNS) desde que foi aprovado o primeiro medicamento de nova geração para a hepatite C. “A percentagem de sucesso mantém-se elevada (96,6%), tendo ficado curados 10.664 doentes dos 11.041 que já tiveram resultados após o tratamento”, refere a Autoridade do Medicamento, a propósito do Dia Mundial das Hepatites.

A decisão, tomada em 2015, de tratar de forma universal e gratuita todos os doentes com hepatite C veio permitir que os tratamentos fossem iniciados em fases mais precoces da doença. Jorge Rodrigues, perito do Infarmed, refere que “os doentes estão a ser tratados mais cedo” e que o facto de haver pouca espera entre o diagnóstico e tratamento leva a que comecem a ser tratados em fases mais iniciais de doença hepática.

Contudo, as associações de doentes estão a receber queixas de atrasos no acesso ao tratamento, devido às alterações no início do ano das regras de financiamento para a compra de medicação para a hepatite C, cujo pagamento passou a ser feito pelos hospitais. Emília Rodrigues, presidente da SOS Hepatites, avança que “os doentes estão entre 8 a 12 meses há espera que a medicação lhes seja disponibilizada”, acrescentando que “os únicos hospitais que estão neste momento a fornecer a medicação dentro do prazo normal, até 2 meses, são o Santa Maria e o Egas Moniz”. “Não podemos admitir que o doente se cure em 12 semanas e esteja 12 meses há espera da medicação”. Neste sentido, Emília Rodrigues sugere que “voltemos atrás e que seja a Administração Central do Sistema de Saúde (ACSS) novamente a fazer o pagamento da medicação”.

A presidente da SOS Hepatites denuncia ainda que este atraso no acesso à medicação tem culminado no aumento do número de doentes com hepatite C que desenvolvem cancro. “Se temos um medicamento que cura o doente entre 8 a 12 semanas, não há necessidade de deixar progredir a doença”, sublinha Emília Rodrigues. Também aqui os dados avançados pelo Infarmed parecem não coincidir com esta realidade: há três anos eram 57% os doentes em tratamento que estavam em estadios avançados da doença, com fibrose grave ou cirrose; atualmente, em 2018, estes dados inverteram-se, sendo que mais de 54% dos doentes estavam em estadios menos avançados e 45% é que se encontravam em fase mais avançada da doença.