Cascais pretende acabar com a epidemia do VIH/SIDA em 2020 e eliminar a hepatite C até 2030
13/07/2018 17:29:45
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Cascais pretende acabar com a epidemia do VIH/SIDA em 2020 e eliminar a hepatite C até 2030

Cascais apresentou esta quinta-feira, 12 de julho, no Centro de Congressos do Estoril, a estratégia do concelho para acabar com a epidemia do VIH/SIDA e eliminar a hepatite C, no âmbito do protocolo internacional Fast-Track Cities – Cidades na Via Rápida para acabar com a epidemia VIH/SIDA e do Manifesto pela Eliminação da Hepatite C da associação Hepatitis B and C Public Policy. Estiveram, pois, reunidos diversos parceiros locais, desde médicos a farmacêuticos, decisores políticos, autarcas e ativistas. Assista ao vídeo com o depoimento de alguns dos intervenientes.

Capacitação de profissionais, educação para a saúde, articulação intersectorial, aumento dos locais de testes e melhoramento do sistema de referenciação são algumas das metas delineadas com o intuito de acabar com a epidemia VIH/SIDA até 2020 e com a hepatite C até 2030. Para que as mesmas sejam alcançadas, com sucesso no concelho de Cascais, foi criada uma parceria entre várias entidades locais e nacionais. Designada por Consórcio, trata-se de uma parceria entre a autarquia, os cuidados de saúde primários, o Hospital de Cascais, a divisão de intervenção nos comportamentos aditivos e dependências, os Serviços Prisionais, as farmácias comunitárias e a organização comunitária Ser+.

“Cascais na via rápida para acabar com a epidemia do VIH e SIDA e eliminar a hepatite C em Portugal até 2030” foi o tema escolhido para a sessão de abertura, que contou com a presença da Dr.ª Graça Freitas, diretora-geral da Saúde, do Dr. Fernando Araújo, secretário de estado adjunto e da Saúde, e do Dr. Carlos Carreiras, presidente da Câmara Municipal de Cascais (CMC).

Para a Dr.ª Graça Freitas, acabar com o estigma é uma das prioridades no combate à infeção VIH/SIDA, na medida em que “cria diversas barreiras, entre as quais o acesso ao tratamento”.

Depois da sessão de abertura, o chefe de Divisão de Promoção da Saúde da CMC, Dr. Ricardo Caldeira, apresentou a estratégia de intervenção, que assenta em cinco eixos de intervenção: literacia em saúde, rede comunitária, diagnóstico precoce, linkage to care, inovação e produção de conhecimento. De seguida, a Dr.ª Joana Bettencourt, dos Programas Nacionais para a Infeção VIH/SIDA e para as Hepatites Virais, apresentou dados epidemiológicos nacionais e locais, de Cascais.

Por último, o jornalista da SIC João Moleira moderou um debate com os protagonistas do Consórcio ligados às diferentes áreas de intervenção. A Dr.ª Helena Baptista Costa é diretora executiva do ACES de Cascais e foi uma das intervenientes, tendo abordado o papel dos cuidados de saúde primários no concelho de Cascais, o qual há começou antes de Cascais integrar o projeto Fast-Track Cities.

O Hospital de Cascais esteve representado pelo administrador executivo, Dr. Luís Gouveia, que falou do papel e ações da unidade hospitalar, entre as quais a promoção do diagnóstico com a realização do teste.
As farmácias comunitárias do concelho assumem igualmente uma certa importância na estratégia. O Dr. Humberto Martins, da ANF, abordou a função das farmácias e farmacêuticos.

O trabalho da Ser+ junto da comunidade foi especificado pela Dr.ª Andreia Pinto Ferreira, coordenadora desta organização de base comunitária que consegue chegar onde as instituições ditas oficiais têm uma certa dificuldade.

No debate participaram também o vereador da CMC Dr. Frederico Pinho de Almeida, o Dr. Joaquim Fonseca, coordenador da DICAD da ARSLVT, o Dr. Celso Manata, diretor-geral de Reinserção e Serviços Prisionais, a Dr.ª Sónia Dias, investigadora da Universidade Nova de Lisboa e o Dr. Fernando de Almeida, presidente do Instituto Nacional de Saúde Dr. Ricardo Jorge.

A iniciativa Fast-Track Cities pretende acabar com a epidemia VIH e já conta com a adesão de mais de 200 cidades em todo o mundo, sendo as autarquias fundamentais para os objetivos definidos. As três cidades portuguesas – Cascais, Lisboa e Porto – juntaram-se à ação em maio de 2017, foi criado um grupo de trabalho liderado pelo infecciologista Prof. Doutor Kamal Mansinho e cada cidade está agora a apresentar uma estratégia adaptada à realidade local, considerando também a meta 90-90-90 da ONUSIDA para o ano de 2020: diagnosticar 90% das pessoas que têm a infeção por VIH, destas garantir que 90% estão a fazer tratamento antirretroviral e que, destas, 90% tenham a carga viral suprimida.

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