Instituto Gulbenkian de Ciência publica estudo sobre diversidade dos alicerces ciliares
09/07/2018 16:48:07
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Instituto Gulbenkian de Ciência publica estudo sobre diversidade dos alicerces ciliares

Uma equipa de investigadores do Instituto Gulbenkian de Ciência acaba de descobrir que os alicerces que servem de base aos cílios são diferentes, o que, por conseguinte, dá origem a montagem de cílios com utilidades também elas bastante diferentes. Os cientistas chegaram à conclusão de que, apesar de as células utilizarem os mesmos materiais por base, elas são muito criativas, pelo que os utilizam em variadas proporções, locais e etapas de construção, criando assim a diversidade estrutural necessária às diferentes funções. O estudo foi publicado na Nature Cell Biology.

 

O corpo humano é composto por milhões de células que comunicam entre si e com o meio ambiente utilizando pequenas antenas, chamadas cílios, que emitem e recebem sinais, incluindo som, cheiros e luz. Sabe-se que estes cílios estão alterados em várias doenças levando a, entre outros sintomas, infertilidade, perda de visão e obesidade.

Desta forma, o estudo em causa contribui para perceber de que forma esta diversidade de funções ocorre, ajudando os profissionais de saúde a compreender melhor as doenças dos cílios, ou seja, ciliopatias.

“Uma consequência interessante desta nossa descoberta é que ela pode explicar um mistério relacionado às doenças genéticas associadas aos cílios. Essas doenças afetam, geralmente, apenas alguns tecidos com cílios, e não todos. Pode ser cego, sem ser infértil. Pode ser infértil, sem ser obeso”, refere a Dr.ª Mónica Bettencourt-Dias, coordenadora do estudo.

“Como observamos que muitos componentes importantes à construção dos alicerces dos cílios estão presentes em diferentes proporções e diferentes alturas no espaço e tempo, apenas em alguns tecidos e não em outros, as suas mutações, que acontecem nas doenças genéticas, só mostrarão sintomas alguns dos tecidos, explicando o mistério”, acrescenta a especialista.

Para o desenvolvimento da investigação, os cientistas serviram-se de imagens altamente avançadas, como tomografia eletrónica e super-resolução, para visualizar as antenas que são 100 vezes mais pequenas do que a ponta de um dos nossos cabelos, revelando assim a sua diversidade na estrutura e nos componentes.

“Como todos os alicerces ciliares começam com uma estrutura semelhante, ficamos surpreendidos ao observar que se tornam eventualmente tão diversos”, sublinha o Dr. Swadhin Jana, um dos autores do estudo.