Prof. Doutor João Queiroz e Melo honrado com distinção do Prémio Nacional de Saúde 2017
13/04/2018 16:41:45
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Prof. Doutor João Queiroz e Melo honrado com distinção do Prémio Nacional de Saúde 2017

O Prof. Doutor João Queiroz e Melo, cirurgião cardiotorácico, recebeu o Prémio Nacional de Saúde 2017, pelas mãos do primeiro-ministro, Dr. Ricardo Costa, e do ministro da Saúde, Prof. Doutor Adalberto Campos Fernandes. No dia da cerimónia, o responsável pelo primeiro transplante de coração em Portugal mostrou-se bastante honrado com a entrega deste galardão.

"Este prémio recebo-o com honra e com prazer. A primeira sensação que me transmite é que consagra a minha idade e a obra que fiz. Sinto-me privilegiado por ter sempre pertencido a uma equipa de que me orgulho, onde destaco o Prof. Doutor Ricardo Seabra Gomes, sem o qual não teria sido possível realizar o que fizemos há 50 anos", refere.

O especialista considera ainda que "deixar fazer e trabalhar em equipa" é a grande mensagem que esteve por detrás do sucesso do seu trabalho, recordando o papel do Dr. Machado Macedo, coordenador da equipa na altura, que "deixava os jovens brilhar".

Na opinião do Prof. Doutor João Queiroz e Melo, esta condição foi "um verdadeiro impulso para que pudéssemos ter inovado, em conjunto". O Hospital de Santa Cruz mereceu também um especial destaque por parte do especialista, o "anfitrião desta verdadeira mudança vital para a Cardiologia nacional".

O cirurgião cardiotorácico dá ainda a conhecer algumas ideias de melhoria para o atual Sistema Nacional de Saúde (SNS), relacionadas com a sustentabilidade e a decisão centrada no doente. "O grande desafio que se impõe à Saúde em Portugal é a necessidade de pensar seriamente na sustentabilidade, reconhecendo que o mundo mudou e que o SNS é absolutamente fundamental na vida dos portugueses".

No entanto, o Prof. Doutor João Queiroz e Melo sublinha que "não pode haver revivalismos e é importante considerar que, no mundo digital em que vivemos, as coisas mudaram e temos que nos adaptar ao novo mundo".Como o próprio afirma, o pluriemprego "não é compatível com o profissionalismo", considerando, ainda, que "Portugal não pode continuar a evoluir no sistema do despesismo e recusar muitas medidas que são o estado da arte nos países desenvolvidos". 

"O doente no centro da decisão" é uma questão indispensável, na opinião do cirurgião, que considera que "o modelo de saúde só será apropriado quando forem os doentes a mandar”. "Os profissionais de saúde têm o dever de partilhar informação com o doente para que possam fazer uma escolha", acrescenta.O especialista considera ainda que as "sociedades científicas têm que se envolver mais na avaliação da conjuntura atual, uma vez que há um grave problema de informação e de avaliação qualitativa de valor".

Por fim, o Prof. Doutor João Queiroz e Melo acredita ser importante "repensar os procedimentos de certificação de qualidade” – “gastamos milhões, em custos financeiros e tempo, na avaliação de metodologias e procedimentos, mas não sabemos avaliar resultados".

De acordo com a Direção-Geral da Saúde, a atribuição deste prémio levou em conta o pioneirismo da transplantação cardíaca do Prof. Doutor João Queiroz e Melo, assim como os seus serviços prestados no ensino e difusão de métodos avançados no tratamento da doença cardíaca. A sua vasta obra no domínio da investigação e da cultura cardiológica nacional desempenhou também um importante papel nesta escolha.