Equipa da Universidade de Coimbra apresenta nova abordagem no tratamento da dor pós-cesariana
19/03/2018 17:52:06
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Equipa da Universidade de Coimbra apresenta nova abordagem no tratamento da dor pós-cesariana

Um estudo piloto, coordenado pela Prof. Doutora Manuela Grazina, docente da Faculdade de Medicina da Universidade de Coimbra (FMUC), “mostrou uma associação positiva entre as variantes genéticas da enzima CYP2D6 e a dor”.

A investigação, que analisou amostras de ADN de 55 parturientes adultas caucasianas portuguesas submetidas a cesariana programada, seguidas na maternidade do Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra (CHUC), revelou que "as variantes genéticas que resultam na ausência ou redução da função enzimática da CYP2D6 estão associadas a mais dor". De acordo com a cientista, este efeito pode estar relacionado com uma diminuição da síntese da dopamina pela atividade da enzima CYP2D6 no cérebro.

"Este é um estudo pioneiro que traz novas perspetivas sobre a abordagem médica personalizada no tratamento da dor pós-cesariana", sublinha a investigadora.

Para além de metabolizar um elevado número de fármacos no fígado, a enzima CYP2D6 "apresenta atividade no cérebro e, em condições fisiológicas normais, constitui uma via alternativa para síntese de cerca de 12% de dopamina, um neurotransmissor essencial para o bem-estar, incluindo na resposta analgésica do organismo à dor. A presença de variantes genéticas que se traduzem em atividade enzimática reduzida ou nula levará a menor produção cerebral de dopamina e, portanto, uma pontuação de dor mais elevada", esclarece a cientista da Universidade de Coimbra.

Adicionalmente, considera que "um estudo que permita um tratamento médico personalizado, de acordo com as caraterísticas genéticas individuais, irá trazer grandes benefícios, permitindo ajustar as doses de analgésico para um tratamento mais eficaz", tendo em conta que a dor pós-parto aguda afeta um número considerável de mulheres e 10% a 15% desenvolvem dor persistente crónica após a cesariana.

Neste sentido, a Prof.ª Doutora Manuela Grazina refere que os resultados desta investigação, publicados na revista científica Pain Medicine, são um contributo importante "para uma melhor compreensão de como a variabilidade genética da CYP2D6 afeta o resultado da dor". Para a cientista, a "análise genética do gene CYP2D6 constitui uma ferramenta promissora, rápida, acessível e credível, com uma contribuição muito significativa para a estimativa das necessidades analgésicas no tratamento da dor pós-cesariana".