Portugueses estão mais informados sobre os sintomas do enfarte agudo do miocárdio
Portugueses estão mais informados sobre os sintomas do enfarte agudo do miocárdio

A maioria dos portugueses está familiarizada com os fatores de risco, sintomas e tratamento de enfarte agudo do miocárdio (EAM), embora ainda haja muitas pessoas a desvalorizar a diabetes como fator de risco associado a esta doença. Estas são as principais conclusões do maior estudo elaborado em Portugal sobre esta doença, publicado hoje, 14 de fevereiro, Dia Nacional do Doente Coronário e com dados relativos a novembro de 2017.

A investigação foi elaborada pela iniciativa Stent Save a Life, que tem como propósito reduzir a mortalidade por EAM, em parceria com a Pitagórica. O estudo marca o fim da iniciativa Stent for Life em Portugal e o início da Stent Save a Life.

De acordo com os últimos dados, recolhidos em 2012, mais de dois terços da população não conhecia os sintomas de EAM e apenas um terço dos doentes utilizava o 112 para ser encaminhado para um hospital e receber a assistência médica mais adequada. Foi nesta altura que foi implementada a iniciativa Stent For Life (SFL) em Portugal, que esteve em vigor durante cinco anos, entre 2012 e 2017. Durante a sua vigência, e no âmbito da campanha “Não perca tempo. Salve uma vida”, foram levadas a cabo diversas ações e iniciativas de sensibilização para o EAM. Após cinco anos da campanha, e no momento em que o SFL terminou, foi realizado um novo estudo de mercado, onde participaram 1044 indivíduos, residentes em Portugal e com uma idade mínima de 15 anos.

Os dados do estudo indicam que o conhecimento das pessoas em relação a este tipo de enfarte aumentou, tendo em conta que 95% dos inquiridos associaram a “dor no peito” a esta doença, contrariando os 85% obtidos em 2012.

Verificou-se ainda que cerca de dois em cada três inquiridos, face aos sintomas típicos de EAM, os identificava com esta patologia. E que a grande maioria (96%) tem consciência de que esta é uma doença extremamente grave e que necessita de tratamento imediato.
Quando questionados sobre o que fariam na presença de um sinal ou sintoma de EAM, mais de metade dos inquiridos (57%) afirmou que ligar para o 112 seria a primeira opção, apesar de que, quando questionados sobre o que fariam perante os sintomas de dor no peito, com suores, náuseas e vómitos, apenas 38% referiu que ligava para o 112. Perante os sintomas apresentados, ir para uma urgência hospitalar seria a prática comum para 27% dos inquiridos.

Ainda de acordo com este novo estudo, a esmagadora maioria dos inquiridos (92%) considera que os fatores de risco associados a esta doença podem ser evitáveis, dando primazia ao excesso de peso como fator de risco principal. Já a diabetes mellitus foi desvalorizada enquanto fator de risco para a doença coronária. Conforme explica o Dr. Hélder Pereira, coordenador da Stent Save a Life na Europa, “os inquiridos mostraram estar muito bem informados sobre os fatores de risco cardiovasculares, no entanto desvalorizaram a diabetes mellitus. Foi dado o devido relevo aos fatores de risco para a própria diabetes, como o excesso de peso, erros alimentares e sedentarismo, mas não se atribuiu o mesmo valor à própria diabetes. Na nossa campanha deveremos passar a dar mais destaque à diabetes, pois esta patologia é cada vez mais um problema de Saúde pública”, sublinha.

68% dos inquiridos respondeu que um enfarte agudo do miocárdio se diagnostica através de um eletrocardiograma, o que demonstra que estes já estão familiarizados com a doença.

Face os dados recolhidos, os investigadores consideram que a maioria dos inquiridos demonstrou ter um bom conhecimento sobre a fisiopatologia deste tipo de enfarte, tendo em conta, por exemplo, que 42% dos indivíduos, em pergunta fechada, afirmou que esta doença resulta da oclusão de uma artéria coronária.

O Dr. Hélder Pereira destaca que “a Associação Portuguesa de Intervenção Cardiovascular (APIC), assim como a Sociedade Portuguesa de Cardiologia (SPC), têm desenvolvido nos últimos anos uma forte campanha de sensibilização da população para o enfarte. Estou em crer que parte desta evolução resulta deste tipo de ações. Da minha experiência pessoal, verifico que os portugueses estão muito atentos aos programas televisivos e radiofónicos ou aos textos jornalísticos em que a temática é a Saúde”.

Fazendo um balanço deste estudo, o Dr. Hélder Pereira alerta: “este estudo da Pitagórica veio mostrar que o grau de conhecimento dos portugueses sobre as doenças cardiovasculares já é muito satisfatório. Contudo, um aspeto é o grau de conhecimento e outro são as atitudes face aos fatores de risco e aos sintomas. O nosso trabalho deverá ser continuado tendo por objetivo último continuarmos a observar uma redução da mortalidade por doenças cardiovasculares, em geral, e por enfarte, em particular”.

 

Estudo assinala a transição da Stent For Life para a Stent Save a Life em Portugal

A iniciativa Stent For Life (SFL), que começou por abranger apenas países europeus, passou, no final do ano passado, a ser global, abrangendo outros países fora da Europa. Desta forma, deixou de chamar-se Stent For Life e passou a denominar-se Stent Save a Life (SSL). Esta transição ficou marcada pela nomeação do antigo coordenador da SFL em Portugal, o Dr. Hélder Pereira, o coordenador da SSL a nível europeu, e do Dr. Pedro Farto e Abreu, a coordenador da mesma iniciativa no país.

“A iniciativa SFL esteve em Portugal durante cinco anos e foi considerada um sucesso. A meu ver, foi este bom desempenho, que conduziu ao convite para coordenarmos a nova iniciativa Stent Save a Life a nível europeu. Não deixa de ser um grande desafio, pois vamos ter que contactar com sistemas organizativos e culturais muito distintos”, explica o Dr. Hélder Pereira.

“O SSL é uma iniciativa global que inclui, além da Europa, também a América do Sul, a África e a Ásia. Quando olhamos para o tratamento do enfarte a nível global, deparamo-nos com realidades muito distintas, pois temos países em que os doentes já têm acesso à angioplastia primária através de redes organizadas e em que o que se pretende é tornar o sistema mais eficiente, a par de países em que os doentes não são de todo reperfundidos ou que no limite apenas se dispõe de estreptoquinase”, destaca o Dr. Hélder pereira, evidenciando os desafios que o esperam enquanto coordenador desta iniciativa a nível europeu.