Projeto do CHSJ elimina hepatite C do Estabelecimento Prisional do Porto
12/02/2018 15:23:49
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Projeto do CHSJ elimina hepatite C do Estabelecimento Prisional do Porto

Um ano após a assinatura do protocolo de cooperação entre o Centro Hospitalar São João (CHSJ) e a Direção Geral de Reinserção e Serviços Prisionais (DGRSP), que tornou possível o acompanhamento dos indivíduos infetados pelo vírus da hepatite C no Estabelecimento Prisional do Porto, o projeto atingiu o seu objetivo: eliminar a doença nesta população, por natureza, exposta ao risco.

Ao longo de um ano, o Serviço de Gastrenterologia do CHSJ "deslocou os seus profissionais, tanto à prisão masculina (em Custóias) como à feminina (em Santa Cruz do Bispo), para realizar as consultas de especialidade de doenças do fígado, promover os procedimentos diagnósticos adequados e facultar a medicação que permitiu a cura da hepatite C na quase totalidade dos reclusos tratados para esse efeito", explica o Prof. Doutor Guilherme Macedo, diretor do Serviço de Gastrenterologia do CHSJ, citado em comunicado publicado no site do CHSJ. 

O projeto pioneiro desenvolvido em conjunto com o médico responsável do Estabelecimento Prisional do Porto, Dr. Rui Morgado "motivou e entusiasmou bastante os envolvidos, profissionais de saúde e utentes das prisões", sublinha o Prof. Doutor Guilherme Macedo, acrescentando que estes "não receberam qualquer compensação monetária", evitando, além disso, "mais de 600 deslocações em carros celulares dos reclusos às consultas". "Promoveu-se a eliminação da taxa de hepatite C no Estabelecimento Prisional do Porto", congratula-se o clínico.

O gastrenterologista refere ainda que "esta situação acarretou um impacto social brutal, na medida em que se conseguiu eliminar o vírus, através de novas modalidades terapêuticas, numa franja da população considerada como carenciada para estes tratamentos e que é apontada como um grupo reservatório de potencial perpetuação da infeção na comunidade".

Ainda segundo a nota informativa, a Organização Mundial da Saúde (OMS) considera a "eliminação da hepatite C uma prioridade de saúde pública à escala global", sendo que a "taxa de sucesso terapêutico superior a 95%, acompanhada pela segurança e simplicidade da utilização dos compostos para esse efeito, tornou possível a adoção dessa estratégia global da OMS".