Mais consumo de drogas e bebidas alcoólicas e menos overdoses: conheça os dados do país em matéria de droga e álcool
08/02/2018 16:47:44
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Mais consumo de drogas e bebidas alcoólicas e menos overdoses: conheça os dados do país em matéria de droga e álcool

Os dados relativos a 2016 mostram que, nesse ano, aumentou o número de intoxicações alcoólicas, o número de doentes que foram tratados em ambulatório por uso de drogas, o consumo de canábis e de cocaína e, simultaneamente diminuiu a fiscalização da venda de bebidas alcoólicas a menores. Do lado positivo, o Serviço de Intervenção nos Comportamentos Aditivos e nas Dependências (SICAD) aponta o número de overdoses que diminuiu 33%.

Os números fazem parte de dois relatórios apresentados ontem na Assembleia da República - A Situação do País em Matéria de Álcool 2016 e A Situação do País em Matéria de Drogas e Toxicodependências 2016.

Em relação ao tratamento por problemas com álcool, em 2016 registaram-se mais de 5.300 episódios de internamentos hospitalares, a maioria dos quais relacionados com doença alcoólica do fígado (65 %) e síndrome de dependência alcoólica (21 %). Feitas as contas registaram-se mais intoxicações alcoólicas do que em 2015, um cenário “inaceitável”, defende Manuel Cardoso, subdiretor do SICAD, em declarações ao Diário de Notícias.

Outro dos alertas do relatório está relacionado com a menor fiscalização da venda de bebidas alcoólicas a menores. De acordo com os dados que as autoridades forneceram, em 2016 foram fiscalizados 12 193 estabelecimentos comerciais, número que representa uma descida de 22% face ao ano anterior. Para além de considerar necessário “punir quem serve e vende aos menores”, o SICAD chama a atenção para o aumento do consumo entre faixas etárias acima dos 45 anos: “Temos de intervir junto dos mais velhos. A pessoa tem de ter a noção de que está a correr riscos. Precisamos de identificar os comportamentos para depois ver se os alteramos", sublinha Manuel Cardoso.

Neste âmbito, o SICAD tem prevista a implementação de um projeto que envolve os médicos e enfermeiros dos centros de saúde numa rede de referenciação de pessoas com problemas relacionados com o consumo de bebidas alcoólicas. O objetivo passa por tentar detetar hábitos de risco que podem transformar-se em problemas de saúde mais tarde. Ou que já o são, mas sem que o utente se aperceba.

 

Consumo de droga: canábis, heroína e cocaína no centro das preocupações

Relativamente ao consumo de drogas, o relatório sublinha a diminuição das overdoses, contrariando a tendência dos dois anos anteriores. No entanto, “dos 208 óbitos com pelo menos uma substância ilícita no metabolismo e com informação sobre a causa de morte, 13 % foram considerados overdoses”, lê-se no documento.

Em 2016 foram instaurados 10.765 processos de contraordenações por consumo de droga, o valor mais elevado desde 2001, a maioria estava relacionada com a posse de canábis. Nesse ano, aumentou também o número de doentes tratados em ambulatório.

A heroína continua a ser a droga mais referida pelos utentes com problemas de uso de drogas, mas foi a canábis que prevaleceu entre os novos doentes em tratamento.