Eutanásia: APCP vai solicitar uma audiência ao Presidente da República para retomar debate
06/02/2018 16:54:46
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Eutanásia: APCP vai solicitar uma audiência ao Presidente da República para retomar debate

No dia em que o Bloco de Esquerda apresentou mais um projeto de lei sobre a eutanásia no Parlamento, a Associação Portuguesa de Cuidados Paliativos (APCP) anuncia que solicitará ao Presidente da República uma audiência, no sentido de contribuir para o "retomar do debate com discernimento e cidadania".

Em comunicado, a APCP afirma que, enquanto instituição representante de profissionais em cuidados paliativos e firme defensora dos doentes, famílias e cuidadores "não pode compactuar com declarações que, de forma mais ou menos deliberada, promovam equívocos que enviesem o debate atual".

A APCP acrescenta ainda que "a argumentação pró legalização da eutanásia/suicídio assistido, ainda que aceitável no livre exercício da opinião de cada um, não deve nunca ser utilizada como solução contra as práticas médicas e assistenciais inadequadas, artificiais e erradas no fim de vida, tal como a distanásia, contrárias aos princípios da medicina e ao interesse da pessoa assistida". Para a Associação "a confusão entre estes dois procedimentos, por tantas vezes ser usada, parece propositada: uma coisa é executar a morte de um doente a pedido (eutanásia), outra é admitir que a sustentação artificial da vida não se deve prolongar (ortotanásia), deixando que sobrevenha a morte natural a alguém".

"É igualmente grave confundir a morte medicamente assistida e a verdadeira assistência médica para atenuar o sofrimento, realizada por profissionais tecnicamente habilitados. Está a primeira em clara colisão com as leis deontológicas da medicina em Portugal, assim como do ato médico", refere ainda a APCP.

A APCP considera importante que “as entidades responsáveis, tanto públicas como privadas, adotem medidas urgentes de reforço de formação e capacitação no fim de vida, particularmente no combate à distanásia ou outras práticas que em nada dignificam o fim de vida de cada um”.