SPC defende: é preciso mudar o panorama da prevenção da morte súbita cardíaca no país
10/01/2018 16:08:42
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SPC defende: é preciso mudar o panorama da prevenção da morte súbita cardíaca no país

Numa audiência que decorreu ontem, dia 9 de janeiro, na Assembleia da República, convocada pela Comissão Parlamentar de Saúde, procurou-se encontrar respostas e soluções para promover a prevenção da morte súbita cardíaca em Portugal. Na ocasião, a Sociedade Portuguesa de Cardiologia (SPC) e a Comissão Parlamentar de Saúde concordaram na necessidade de mudar o panorama da morte súbita cardíaca no país, alegando que esta pode ser evitável e prevenível, se os passos certos forem dados.

“Podemos estar rodeados de médicos, mas se não temos os meios necessários para socorrer um cidadão perante um episódio de morte súbita, a situação não se vai resolver,” assim sintetizou o flagelo da morte súbita cardíaca em Portugal o Prof. Doutor João Morais, presidente da SPC. Atualmente, ocorrem no país cerca de 10 mil casos de paragem cardiorrespiratória por ano. Segundo dados do Instituto Nacional de Emergência Médica (INEM), apenas 3% das vítimas sobrevive, o que reflete as lacunas do nosso sistema de socorro pré-hospitalar. Não existe uma cultura de socorro enraizada na sociedade portuguesa e, segundo o INEM, em 57% das paragens cardiorrespiratórias presenciadas não é realizada qualquer manobra de reanimação até chegada do socorro. A área da prevenção da morte súbita cardíaca, no entender dos cardiologistas, está longe de ter uma resposta adequada e é, por isso, um dos domínios onde ainda há muito por fazer.

O ideal pelo qual a SPC tem lutado é que todos os cidadãos usufruam do direito a ser reanimados, ou seja, que num episódio de morte súbita, e enquanto as equipas do INEM não chegam, os portugueses possam contar com a ajuda de cidadãos com formação para aplicar suporte básico de vida e que possam aceder e manusear um desfibrilhador automático externo (DAE), caso tenham formação para o efeito.

Contudo, a realidade do país não é essa: de acordo com o Registo Nacional de Paragem Cardio-respiratória Pré-hospitalar, partilhado pelo INEM, em 2016, dos 12 mil casos de tentativas de ressuscitação em que as manobras de reanimação cardiopulmonar foram aplicadas, apenas 681 cidadãos chegaram vivos ao hospital, ou seja, há uma mortalidade de 95% “na rua”. Apesar de todos reconhecerem que o número de sistemas de cardio-desfibrilhação em locais públicos deve ser maior, o número de pessoas aptas e com autorização para utilizar os DAE´s é ainda muito inferior ao desejável e mesmo o número de pessoas com formação em suporte básico de vida é muito reduzido.

Assim, a SPC propõe que a Comissão Parlamentar de Saúde patrocine a criação de um grupo de trabalho exclusivamente dedicado ao tema da prevenção da morte súbita com o INEM, Cruz Vermelha, Bombeiros, Conselho Português de Ressuscitação, SPC e outras entidades que, em conjunto, possam avaliar e rever o Decreto-Lei 184/2012 (que prevê a obrigatoriedade da instalação de equipamentos de desfibrilhação automática externa em locais de acesso público), apresentando um conjunto de medidas que promovam o direito de todos os portugueses a serem reanimados. Na opinião da SPC, o Decreto-Lei 184/2012 poderá ser melhorado, uma vez que apresenta lacunas e disparidades quanto à execução e realidade nacional.

A SPC considera ainda que é urgente colocar o tema da prevenção da morte súbita na agenda política e criar campanhas de literacia em saúde que promovam a importância de todos os cidadãos estarem aptos a saber aplicar suporte básico de vida e manusear um DAE, assim acentuando o conceito de cidadania que este tema envolve.

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