FDA autoriza tratamento de paralisia cerebral e autismo com sangue do cordão umbilical nos EUA
06/12/2017 16:27:29
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FDA autoriza tratamento de paralisia cerebral e autismo com sangue do cordão umbilical nos EUA

A Food and Drug Administration (FDA) autorizou o Centro Médico da Universidade de Duke, nos EUA, a tratar crianças diagnosticadas com várias doenças neurológicas com sangue do cordão umbilical autólogo ou de um irmão compatível.

Esta autorização surge na sequência de vários ensaios clínicos realizados na Universidade de Duke, que demonstraram que o tratamento com sangue do cordão umbilical é seguro e pode ter efeitos benéficos em crianças com vários tipos de doenças neurológicas, como paralisia cerebral, perturbações do espetro do autismo, hidrocefalia, apraxia da fala e situações de lesão cerebral por anóxia ou hipóxia-isquémica, resultantes de um deficiente fornecimento de oxigénio ao cérebro.

“A concessão desta autorização é de extrema importância, pois significa que mesmo as crianças que não cumprem os critérios de elegibilidade para poderem participar num ensaio clínico da Universidade de Duke - geralmente bastante restritivos - podem ser tratadas utilizando o seu próprio sangue do cordão umbilical ou de um irmão compatível. Para que tal aconteça, é necessário existir uma unidade de sangue do cordão umbilical colhida e armazenada à nascença, num banco familiar, que deverá cumprir os critérios de qualidade exigidos pelo centro de transplantação”, explica a Dr.ª Bruna Moreira, investigadora do Departamento de I&D da Crioestaminal.

A administração de sangue do cordão umbilical não constitui a cura para estas doenças neurológicas, no entanto, pode significar uma melhoria da sintomatologia associada. A investigadora acrescenta ainda: “Considerando o número significativo de crianças com doenças neurológicas que enfrenta dificuldades diárias, esta autorização representa uma nova esperança e uma alternativa terapêutica que poderá ajudar a melhorar a sua qualidade de vida e dos seus cuidadores”.

Em Portugal, o autismo afeta cerca de uma em cada 1000 crianças em idade escolar e, a nível mundial, cerca de duas a três crianças em cada 1000 recém-nascidos têm paralisia cerebral. Existem cerca de quatro milhões de unidades do sangue do cordão umbilical armazenadas em bancos familiares em todo o mundo e estima-se que haja dezenas de milhares de crianças com lesões neurológicas que podem vir a beneficiar deste tipo de terapia, uma vez que a medicina regenerativa com base em células estaminais do sangue do cordão umbilical continua a evoluir no sentido de proporcionar uma melhor qualidade de vida a doentes que dispõem atualmente de opções terapêuticas com eficácia reduzida.