SPG defende inclusão de instituições portuguesas em ensaios clínicos
13/11/2017 15:55:29
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SPG defende inclusão de instituições portuguesas em ensaios clínicos

Assinala-se hoje, 13 de novembro, o Dia Mundial do Cancro do Pâncreas, o tumor maligno do sistema digestivo com pior prognóstico, com uma sobrevivência global aos cinco anos de apenas 5%. A Sociedade Portuguesa de Gastrenterologia (SPG) defende que deve ser promovida a inclusão de instituições portuguesas em ensaios clínicos com tratamentos inovadores, que englobem os vários estadios da doença.

O cancro do pâncreas tem aumentado de incidência nas últimas décadas, apresenta um comportamento biológico agressivo e o diagnóstico é habitualmente tardio, geralmente numa fase avançada da doença. Corresponde atualmente à quinta causa mais frequente de morte por cancro

“São urgentes medidas preventivas eficazes com controlo de fatores de risco, identificação de subgrupos de risco e otimização de estratégias de rastreio e diagnóstico precoce que passam pela identificação e validação de biomarcadores específicos para este tumor. A ecoendoscopia digestiva, pela sua elevada acuidade diagnóstica e pela sua capacidade interventiva, possibilitando a biópsia de tecido tumoral e a injeção direta de agentes anti-tumorais, terá cada vez mais um papel central na abordagem desta doença”, refere o gastrenterologista Prof. Doutor Castro Poças, membro da SPG.

O cancro do pâncreas é o 3.º tipo de cancro do sistema digestivo mais frequente em Portugal, logo após o cancro do cólon e do estômago. Estima-se que surjam anualmente em Portugal cerca de 1400 novos casos. Existe uma predisposição familiar para o cancro do pâncreas, mas apenas uma pequena proporção dos casos, menos de 5%, estão associados a síndromes genéticos hereditários.

O Prof. Doutor Castro Poças considera que “no cancro do pâncreas é fundamental uma abordagem multidisciplinar, tendo a Gastrenterologia um papel crucial nas várias etapas do diagnóstico, estadiamento e tratamento desta doença. A abordagem terapêutica deve ser individualizada, tendo em consideração as características do doente e do próprio tumor”. Para o especialista, “no momento do diagnóstico apenas é possível realizar cirurgia com potencial curativo em 15 a 20% dos doentes e, mesmo nestes casos, a sobrevivência aos cinco anos é de apenas 10 a 20%”.

Na maioria dos doentes o tratamento passa pela realização de quimioterapia, muitas vezes isoladamente, ou em combinação com radioterapia. A inclusão em ensaios clínicos deve ser, sempre que possível, equacionada em qualquer fase da doença, o que já é possível em várias instituições portuguesas.