21/01/2015 17:34:20
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Investigadores de Coimbra “abrem portas” a novos tratamentos da artrite reumatoide
Investigadores de Coimbra “abrem portas” a novos tratamentos da artrite reumatoideUma equipa de investigadores do Centro de Neurociências e Biologia Celular (CNC) e da Faculdade de Medicina da Universidade de Coimbra (FMUC) concluiu que a artrite reumatoide altera as células do sistema imunitário T CD8, produzidas pelo timo (órgão linfoide situado junto ao coração). A alteração das células traduz-se na perda de tolerância imunológica, que ao destruir as células boas da articulação, tornam-se os responsáveis pela manutenção da doença crónica.


Os resultados do estudo, realizado primeiro em modelos animais e posteriormente em humanos, demonstraram que ao retirar as células T CD8 do sistema, os ratinhos apresentavam melhorias muito significativas. Segundo Helena Carvalheiro, primeira autora do artigo científico publicado no Arthritis & Rheumatology, jornal internacional de referência da área, estes resultados: "abrem portas para o desenvolvimento de novos alvos terapêuticos com o foco nestas células que estão a matar as células erradas porque perderam a capacidade de distinguir o que é estranho daquilo que faz parte do organismo".

A pesquisa vai agora focar-se em «selecionar as vias moleculares intracelulares das T CD8 que podem ser modificadas geneticamente com fins terapêuticos, isto é, vamos avaliar como funcionam os sinais dentro destas células, através da análise genética, identificar os que estão alterados e proceder à sua reparação para que todas as peças da máquina voltem a funcionar em favor do doente», acrescenta Helena Carvalheiro.

Sendo a Artrite Reumatoide uma doença crónica que provoca a destruição das articulações e invalidez progressiva, a procura de novas respostas clínicas «continua a ser um objetivo nuclear, apesar dos notáveis progressos registados já na última década», sublinha o especialista da FMUC, José António Pereira da Silva.

Para o desenvolvimento desta investigação, financiada pela ação Marie-Curie e por um laboratório de indústria farmacêutica, foram acompanhados 96 doentes com artrite reumatoide.

Na foto, a equipa de investigadores formada por: Cátia Duarte; José António Pereira da Silva; Helena Carvalheiro; Margarida Souto Carneiro