"Investigação Clínica é uma atividade fundamental para o desenvolvimento do conhecimento e inovação na Saúde"
12/03/2019 10:32:10
Prof.ª Doutora Sara Dias
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"Investigação Clínica é uma atividade fundamental para o desenvolvimento do conhecimento e inovação na Saúde"

Arranca hoje, dia 12 de março, no Parque Suécia, em Carnaxide, o primeiro de dois cursos de Estatística Aplicada à Investigação Clínica promovidos pela CUF Academic and Research Medical Center. O segundo vai ter lugar no Hospital CUF Porto, no dia 2 de abril. Destinado a médicos, estudantes de Medicina, farmacêuticos e enfermeiros, a ação surgiu da necessidade de quantificar corretamente os fenómenos na área da saúde. “Todos os dias aparecem problemas novos na área da saúde, cuja resposta exige o conhecimento de técnicas estatísticas. O curso pretende sensibilizar a nova geração de profissionais de saúde para a importância de uma cultura científica e formação adequada em investigação clínica”, explica em entrevista a Prof.ª Doutora Sara Dias, formadora e doutorada em Estatística e Gestão de Informação pela Universidade NOVA.

 

News Farma (NF) | Como surgiu este Curso Teórico-Prático Estatística Aplicada à Investigação Clínica e quais os principais objetivos?

Prof.ª Doutora Sara Dias (SD) | O curso surgiu dada a necessidade de quantificar corretamente os fenómenos na área da Saúde. Muitas das observações que fazemos na área da saúde são expressas em palavras, contudo, algumas não podem ser narradas sem recorrermos aos números, por esse motivo a Estatística Aplicada à Investigação Clínica tem ganho maior relevância. A Investigação Clínica é uma atividade fundamental para o desenvolvimento do conhecimento e inovação na saúde, contribuindo, de forma estratégica, para a melhoria da saúde das populações e do desempenho das unidades de saúde em diversos domínios, nomeadamente no domínio da qualidade dos cuidados de saúde prestados, no domínio educacional e científico e no domínio económico, entre outros. O objetivo primordial deste curso é classificar e apresentar dados numéricos, através de gráficos ou tabelas, sobre fenómenos de saúde, num contexto que permita/facilite a sua interpretação e a apreensão do seu significado. 

 

NF | O que é que médicos, enfermeiros, farmacêuticos e estudantes de medicina podem esperar da sua participação?

SD | Todos os dias aparecem problemas novos na área da Saúde, cuja resposta exige o conhecimento de técnicas estatísticas. O curso pretende sensibilizar a nova geração de profissionais de saúde para a importância de uma cultura científica e formação adequada em investigação clínica. Assim, este curso vai proporcionar aos profissionais de saúde conhecimentos e competências práticas na aplicação de métodos estatísticos que são atualmente encontrados na maioria dos artigos científicos. O curso pretende sensibilizar a nova geração de profissionais de saúde para a importância de uma cultura científica e formação adequada em investigação clínica.

 

NF | Os trabalhos terão uma forte componente prática. Pode explicar um pouco melhor, nomeadamente a forma como isso os diferencia?

SD | Com o desenvolvimento das ferramentas (softwares) estatísticas já não há necessidade de realizar cálculos manualmente, daí este curso ter uma forte componente prática. No entanto, a facilidade de recurso às ferramentas (softwares) estatísticas, para tratamento e análise de dados, veio reforçar a urgência de um ensino da estatística capaz de dotar competências adequadas. Ou seja, a estatística nos dias de hoje tem de ser ensinada com recurso a ferramentas (software) estatísticas. Se por um lado as ferramentas ajudam a não ter cálculos errados, por outro poderão ser usadas técnicas estatísticas complexas erradamente ou não conseguir interpretar corretamente os resultados gerados. Daí que tenha que haver esta dualidade entre a teoria e prática. 

 

NF | Qual é a importância da instrução dos profissionais de saúde para o uso de técnicas de análise analítica?

SD | Nos dias de hoje, é cada vez mais importante medir “saúde”, essa medição levou ao aparecimento de um novo conceito: “medicina de precisão”. No entanto, é preciso ter em conta que essa medição e precisão têm de ser realizadas de forma correta e para tal é necessário recorrer a técnicas de análise estatística. As técnicas de análise e as ferramentas estão em constante atualização e para que os profissionais de saúde se mantenham atualizados têm de ler e compreender os artigos científicos da sua área, daí a importância.

 

NF | Como caracteriza a Investigação Clínica em Portugal? Quais as lacunas?

SD | Os dados da investigação clínica em Portugal divulgados em maio de 2017 mostravam que estavam a decorrer no nosso país 382 ensaios clínicos nos quais estariam envolvidos cerca de 830 investigadores, de 88 centros de investigação. Apesar de os números serem ainda pequenos comparativamente com os dos nossos congéneres europeus, revelam um claro crescimento da investigação clínica no nosso país evidenciando ainda que Portugal tem um grande potencial de crescimento na captação de ensaios clínicos. É fundamental continuar a apostar nesta área que gera conhecimento, tem impacto económico e representa uma grande vantagem para os utentes portugueses, possibilitando-lhes o acesso a medicamentos inovadores. É preciso também criar condições para que os médicos, enfermeiros, terapeutas e farmacêuticos tenham condições para poder participar neste tipo de iniciativa que exige tempo e dedicação, nomeadamente para o recrutamento e acompanhamento dos utentes. As iniciativas de formação que têm surgido, nomeadamente o programa CLIC e os programas de formação em Medicina Farmacêutica e Investigação clínica promovidos pela Pharma Train e pela European Clinical Research Infrastructures Network (ECRIN), representada em Portugal pela PTCRIN, e os eventos formativos em estatística aplicada à Investigação clínica são essenciais para garantir a qualidade do que se faz e a confiança dos promotores dos ensaios clínicos nas nossas equipas.  

 

NF | Quais as expetativas da organização?

SD | Gostaria que todos os profissionais de saúde (médicos, enfermeiros, farmacêuticos, terapeutas, entre outros) participassem nestes cursos e no futuro considerem a possibilidade de integrarem ou candidatarem-se a programas de investigação  em saúde  mais aprofundados que os preparem para uma carreira de investigadores com capacidade para desenvolver, no tecido científico nacional, a área da investigação clínica. 

 

Para mais informações e inscrições aqui.