“A José de Mello Saúde não pode deixar de ter uma revista indexada”
09/08/2018 12:34:44
Prof. Doutor João Paço, presidente do Conselho Médico da José de Mello Saúde e editor-chefe da Gazeta Médica
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“A José de Mello Saúde não pode deixar de ter uma revista indexada”

A News Farma falou com o presidente do Conselho Médico da José de Mello Saúde e editor-chefe da Gazeta Médica, Prof. Doutor João Paço, sobre a recente indexação da Gazeta Médica no DOAJ, uma plataforma lançada em 2003 pela Universidade de Lund, na Suécia, que reconhece e agrega publicações de todo o mundo de elevada qualidade científica, de acesso livre e peer-reviewed. O objetivo foi perceber o significado desta indexação, não só para a revista, mas também para a comunidade científica.

 

News Farma (NF) | O que representa a recente indexação à base de dados internacional DOAJ?

Prof. Doutor João Paço (JP) | É um sonho. Em 2016 relancei com a Academia CUF a Gazeta Médica, que tinha desaparecido por completo nos anos 70 e estava nessa altura indexada na Medline. Um grupo como a José de Mello Saúde, pela sua dimensão e riqueza e pelo número de médicos doutorados e professores universitários, não pode deixar de ter uma revista indexada, na qual os médicos possam publicar os seus artigos e que, de certa maneira, exprima o avanço das unidades da CUF. Nos dias que correm, os médicos têm obrigatoriamente de publicar. Quem não publica morre.

 

NF | Sabemos que entre 1948 e 1964 os artigos da revista foram indexados na Medline. Pretende retomar esta indexação?

JP | Não tenho a mínima dúvida. Penso que é uma obrigação, pela dimensão do nosso grupo, a capacidade dos nossos médicos, as cirurgias que fazemos, a investigação que fazemos e a formação que acontece nas nossas unidades. Não tenho a mínima dúvida de que isso vai acontecer mais tarde ou mais cedo. Somos o maior grupo médico português e isso, além dos números, tem responsabilidades e essas responsabilidades traduzem-se numa gazeta. 

Atualmente, a maioria das faculdades exige aos alunos, nos programas de Doutoramento, que os trabalhos sejam publicados em revistas indexadas. Portanto, se uma revista não for indexada não tem reconhecimento científico.

 

NF | Os princípios que nortearam a fundação da Gazeta em 1948 ainda se aplicam aos dias de hoje?

JP | Os tempos são outros, mas inicialmente, quando a CUF começou, tinha uma dimensão completamente diferente. Era um hospital pequeno, criado pelo grupo Mello e pelo Sr. Alfredo da Silva. Era chamada a clínica das inovações e contava com os melhores médicos de Lisboa. No início, os médicos integrados na CUF eram essencialmente grandes professores da faculdade, que publicavam e davam aso a que as inovações desenvolvidas no hospital fossem, assim, traduzidas em revista.

Hoje em dia, continuamos a ser dotados das mais riquíssimas e variadas tecnologias ao dispor dos nossos doentes, sendo que muitas delas não existem noutros locais, o que faz com que apareçam aqui muitos trabalhos diferenciadores. Quando falo no plural, para além da CUF, estou também a incluir as Parcerias Público Privadas (PPP). Como o Hospital de Braga, que está associado à Universidade do Minho e Hospital de Vila Franca de Xira. Já o Hospital CUF Porto está associado à Faculdade de Medicina do Porto e as unidades de Lisboa à Nova Medical School. Isto faz com que os nossos alunos de Doutoramento, bem como os nossos professores, tenham aqui um local onde podem exprimir os resultados das suas investigações.

 

NF | Qual o contributo da publicação para a comunidade científica?

JP | É importante sublinhar que a Gazeta Médica é uma publicação revista por pares (single-blinded peer review) e open access, o que revela à partida o nosso compromisso com a partilha de conhecimento, obedecendo aos mais rigorosos critérios de revisão. Por ser uma publicação bilingue, esta partilha é também aberta à comunidade internacional, posicionamento que agora reforçámos com a indexação no DOAJ. No panorama nacional, é frequente recebermos para publicação artigos de profissionais que exercem a sua atividade assistencial nas unidades José de Mello Saúde, em paralelo com instituições públicas, e escolhem a Gazeta Médica como meio preferencial para divulgação dos seus trabalhos. É este princípio de partilha e livre acesso ao conhecimento que queremos manter, alargando cada vez mais a área de influência da publicação.

 

NF | Que avanço científico gostaria de ver publicado na Gazeta Médica?

JP | Em Portugal não existem muitos Prémios Nobel, sendo que o último que tivemos foi com o Professor Egas Moniz. Podemos ser ambiciosos e esperar um trabalho desta natureza, mas o que pretendo, acima de tudo, é que a Gazeta Médica seja cada vez mais conhecida, em papel e online, acompanhando a tendência da era digital. Gostava de que também tivesse cada vez mais uma expressão internacional: estou certo de que se for mais lida lá fora também conseguiremos captar mais trabalhos internacionais para publicação.

 

NF |Qual o balanço que faz desta nova era da Gazeta Médica, após a sua reedição?

JP | Neste momento temos a revista científica que merecemos, tendo em conta a qualidade do grupo e a qualidade da Gazeta. Esta indexação no DOAJ é um incentivo para os desafios que se seguem. Não posso deixar de agradecer a toda a equipa editorial. No fim de tudo, a Gazeta Médica é também a expressão da Academia CUF.