Highlights das American Diabetes Association’s 78th Scientific Sessions
29/06/2018 11:16:24
Secretariado NEDM
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Highlights das American Diabetes Association’s 78th Scientific Sessions

Diabetologistas de todo o mundo reuniram-se de 22 a 26 deste mês na Florida, EUA, nas American Diabetes Association’s 78th Scientific Sessions (ADA 2018), para discutirem as últimas novidades científicas e refletirem sobre uma enorme variedade de temas na área da diabetes. O Núcleo de Estudos da Diabetes Mellitus (NEDM) da Sociedade Portuguesa de Medicina Interna (SPMI) esteve presente com vários membros (Dr. Estevão Pape, Dr.ª Joana Louro, Dr.ª Mónica Reis e Dr.ª Rita Nortadas) e, no rescaldo do congresso, assinala os Highlights ADA 2018.  

Novos Ensaios. Novos Dados

O elevado número de dados, estudos, abstracts e sessões apresentadas em simultâneo torna a missão de resumir e destacar quase impossível. Ficam, portanto, apenas alguns resultados, num universo de outros também importantes.

- VADT (Veteran's Affairs Diabetes Trial) – 15 years Follow up Study: Estes novos dados foram apresentados e contrariaram os resultados apresentados dos 10 anos de follow up, não mostrando o benefício no grupo de controlo intensiv, deixando a reflexão sobre se a teoria da memoria metabólica se perde ao longo do tempo, ou se apenas traduzirá a especificidade da população em causa;

- EASE Program - Empagliflozina na DM1: No estudo de fase 2 (4 semanas) a empaglifozina mostrou melhoria no controlo glicémico (redução de HbA1c até -0,49%), perda de peso (até -1,9Kg), sem aumento da prevalência de hipoglicémia, quando comparado com o placebo;

- CompoSIT-R: Em doentes com DM2 e doença renal moderada, com controlo metabólico inadequado medicados apenas com metformina ou metformina+SU, o tratamento com sitagliptina por 24 semanas traduziu-se numa maior redução da HbA1c quando comprado com a dapaglifozina;

- Os novos dados do CANVAS apresentados mostram o benefício renal da canagliflozina, (canagliflozina no tratamento de doentes com DM2 em relação ao risco cardiovascular para eventos cardíacos adversos maiores;

- BRIGHT: Estudo head-to-head que comparou a eficácia e segurança de insulina glargina 300U/mL versus insulina degludec (24 semanas). Insulina glargina 300 U/mL atingiu o objetivo primário de redução da HbA1c (-1,64% vs. -1,59%, respetivamente).  A incidência e a taxa de hipoglicémias foi inferior nas primeiras 12 semanas em comparação com insulina degludec e similar entre as semanas 13 e 24;

- SUSTAIN-7(análise post-hoc): benefício de semaglutido na redução do peso foi superior comparativamente a dulaglutido para todos os subgrupos de doentes. Os subgrupos foram pré-definidos de acordo com o IMC à entrada do estudo, verificando-se uma maior redução do peso com semaglutido na dose de 0.5 mg vs. dulaglutido 0.75 mg e com semaglutido 1.0 mg vs. dulaglutido 1.5 mg, partindo-se de um valor inicial médio de 95.2 kg;

- MEDI0382: (Estudo fase 2 de um agonista de duplo recetor GLPI/Glucagón) que demonstrou um potente controlo glicémico dependente de glicose, perda de peso marcada e redução da esteatose hepática em doentes com DM2.

Novas recomendações da ADA/EASD na abordagem da DM2

Foi apresentado em simpósio um draft destas recomendações, que em breve será disponibilizado num webcast da página da ADA e que se encontrará em discussão publica até ao dia 2 de julho.

As recomendações de 2015 foram aceites e revitalizadas com novos dados. Grande foco na individualização da terapia, onde o doente permanece “no centro de tudo”. A intervenção no estilo de vida continua a ser a pedra angular da assistência e a metformina continua ainda no topo do algoritmo. Neste conceito de individualização terapêutica, deve-se considerar a presença de doença cardiovascular (DCV) prévia ou insuficiência cardíaca, e são reconhecidas hierarquias dentro das classes farmacológicas (liraglutide> semaglutide> EQW; empagliflozin> canagliflozin).

Para doentes sem DCV, a prescrição é motivada pela necessidade de evitar hipoglicemia e ganho de peso. A intensificação gradual do fármaco é preferível às combinações iniciais, a menos que a HbA1c seja muito elevada na altura do diagnóstico. O custo continua a ser um importante fator de decisão terapêutica em alguns países. A insulina será “classificada” após o agonista do GLP1 quando for necessário um injetável. Os desafios são maiores para insulinas mais antigas com maior risco de hipoglicemia e, especialmente, insulina pré-prandial ou pré-mistura, que deve ser iniciada apenas com apoio especializado. A Declaração de Consenso fornecerá apoio sobre o uso de injetáveis ​​(incluindo a administração de SGLT2i com insulina) e qual o fármaco que continuar ou retirar.

Secretariado NEDM