Prémio Maria José Nogueira Pinto: "um incentivo ao reconhecimento do que se faz muito bem em Portugal na área da solidariedade social"
10/04/2018 16:48:52
Dr.ª Maria de Belém Roseira
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Prémio Maria José Nogueira Pinto: "um incentivo ao reconhecimento do que se faz muito bem em Portugal na área da solidariedade social"

As candidaturas para o Prémio Maria José Nogueira Pinto decorrem até ao próximo dia 30 de abril. Em entrevista à News Farma, a Dr.ª Maria de Belém Roseira, membro do júri, faz um balanço muito positivo dos seis anos do galardão instituído pela MSD, considerando que se trata de um "incentivo ao reconhecimento do que se faz muito bem em Portugal, na área da solidariedade social". 

News Farma (NF) | Cinco edições, mais de 400 candidaturas e 21 projetos distinguidos em diversas áreas são alguns dos números do Prémio Maria José Nogueira Pinto, instituído pela MSD em 2012. Que balanço faz dos seis anos deste galardão? 

Maria de Belém Roseira (MR) | Um balanço muito positivo! O Prémio já vai na sua 6.ª edição e destina-se a disseminar a ideia de Maria José Nogueira Pinto relativamente à importância de não vivermos com indiferença na sociedade e na comunidade que nos rodeia. Este é um prémio criado para fazer jus à memória de uma grande senhora que desapareceu precocemente, quando ainda tinha tanto para dar e que, mesmo assim, nos deixou uma marca tão forte no campo da solidariedade social.Ao longo destes anos, as várias edições revelaram-se um sucesso. Chegámos mesmo a ter que prolongar o prazo de submissão das candidaturas.

Já foram apresentadas mais de 400 e distinguidos 21 projetos em diversas áreas de ação, desde educação e capacitação em várias faixas etárias até às hortas biológicas, ao apoio domiciliário com uma abrangência mais vasta que o tradicional, à integração de reclusos e ao desenvolvimento de capacidades remanescentes em doentes do foro neurodegenerativo. Um mar de projetos inovadores desenvolvidos por instituições de solidariedade social de norte a sul do país e regiões autónomas.

 

NF | Este prémio visa distinguir o trabalho desenvolvido na área de responsabilidade social em território português. De que forma beneficia as entidades que se candidatam?

MR | Este prémio pretende ser um incentivo ao reconhecimento do que se faz muito bem em Portugal, na área da solidariedade social. Qualquer instituição deste âmbito da solidariedade social - instituições de terceiro setor da economia social - é elegível para concorrer. São entidades do setor não lucrativo - uma outra forma de economia - um setor social constitucionalmente reconhecido que se constituem com o objetivo de melhorar a vida das pessoas nas suas múltiplas expressões. Nesse sentido, o valor monetário do prémio pretende ajudar a promover os projetos vencedores, contribuindo para a sua continuidade e expansão. Com este contributo, as organizações conseguem levar a sua ação mais longe, ajudar mais pessoas e ver a sua ideia inovadora poder ser replicada noutros territórios.

 

NF | “Code Mode” foi o grande vencedor da edição de 2017. De que forma este projeto da Santa Casa da Misericórdia de Peso da Régua se distinguiu dos restantes em concurso?

MR | Ao longo das últimas cinco edições, recebemos e analisámos projetos muito interessantes. Por exemplo, a “Cozinha com alma” disponibiliza refeições a pessoas em situação de ‘pobreza envergonhada’ sem terem de assumir publicamente a sua vulnerabilidade; ou o “Memo e Kelembra nas escolas” desenvolvido para ensinar as crianças a lidarem com os avós que sofrem de Alzheimer. Na edição de 2017, atribuiu-se o Grande Prémio ao projeto da Santa Casa da Misericórdia do Peso da Régua, o “Code Mode”, um projeto dirigido a crianças do pré-escolar e do primeiro ciclo, com o principal objetivo de estimular o gosto dos mais pequenos pelas ciências e matemática, promovendo, simultaneamente, o desenvolvimento de competências digitais.

Numa altura em que o concelho verificava um baixo nível de escolaridade e uma elevada taxa de desemprego jovem, a Santa Casa da Misericórdia de Peso da Régua (SCMPR) desenhou um projeto para trabalhar com as crianças da região e transformá-las em cidadãos ativos, autónomos e capazes de se adaptarem a uma economia colaborativa e competitiva, e de responder aos desafios do mercado de trabalho do futuro.Para além de força impulsionadora de aquisição de competências digitais desde a idade pré-escolar, o projeto Code Mode tem-se constituído também como um fator de coesão social, na medida em que tem permitido aproximar crianças de várias escolas e concelhos em torno da programação e da robótica.Estes projetos são marcantes por serem capazes de ensinar coisas difíceis de uma maneira fácil para que, desta forma, as pessoas deixem de sentir que não são capazes.

 

NF | Como se realiza o processo de candidaturas, a decorrer até 30 de abril?

MR | As candidaturas decorrem efetivamente até dia 30 de abril e podem ser apresentadas através do website do Prémio. Este ano, as candidaturas deixam de ser em papel, passando todo o processo a ser feito através de uma simples inscrição online. Acreditamos que, desta forma, todos ganham: os concorrentes podem fazer a candidatura de forma faseada e com tranquilidade e o júri, por sua vez, consegue analisar e aceder com mais facilidade a toda a informação sobre os projetos a concurso. 

Todo o processo está otimizado. Se os candidatos tiverem alguma dúvida quanto ao preenchimento dos campos, o website está preparado para explicar a informação que é pretendida e como deve ser submetida. No final, ao clicar em “submeter candidatura”, surge automaticamente uma mensagem a informar que a mesma foi submetida com sucesso e, depois, basta aguardar pelo grande dia, aquele em que são divulgados os vencedores.

 

NF | O projeto vencedor recebe 10 mil euros e, a cada uma das menções honrosas, é atribuído um prémio no valor de mil euros. Quais são os critérios do galardão?

MR | Com o apoio da MSD Portugal, o Prémio Maria José Nogueira Pinto atribui, anualmente, 10 mil euros ao Grande Vencedor e mil euros a cada uma das três menções honrosas, podendo o júri atribuir uma quarta menção honrosa. Pesa na decisão que o projeto desenvolvido pelas instituições que se candidatam tenha realmente impacto no local onde se realiza, seja uma atividade inovadora do ponto de vista social, que se dirija aos problemas da comunidade, que tenha possibilidade de ser reaplicado e tenha impacto direto na transformação, para melhor, daqueles a quem se dirigem.

 

NF | Qual a importância deste tipo de prémios em Portugal?

MR | Este tipo de prémios visa reconhecer o trabalho desenvolvido por pessoas, individuais ou coletivas, que se tenham destacado no âmbito de ações de intervenção social ativa, em território nacional e que o fazem, normalmente, num quadro de grande insuficiência de recursos. São contributos importantes para que aqueles que à nossa volta sentem mais necessidades possam ver a sua condição melhorada e dar visibilidade ao mérito de tantas pessoas que se dedicam aos outros e fazem com que boas ideias, com potencial transformador, saiam do papel e melhorem a vida daqueles aos quais dirigem a sua ação. No caso do Prémio Maria José Nogueira Pinto temos a noção de que ajudamos a fazer a diferença na comunidade - ajudamos as pessoas de uma organização a ajudar muitas outras pessoas. Iniciativas como esta são sempre bem acolhidas, na medida em que contribuem para uma sociedade mais amigável e mais coesa.

 

NF | Quais as expectativas para a edição de 2018?

MR | Desde o primeiro dia de candidaturas, já recebemos milhares de visitas ao site e temos mais de uma centena de organizações registadas. No ano passado, foram avaliados 94 projetos. Nesta edição, esperamos superar este número e distinguir mais projetos verdadeiramente inspiradores.

 

NF | Há mais alguma mensagem que gostaria de partilhar? 

MR | A Dr.ª Maria José Nogueira Pinto dedicou uma importante parte da sua vida a defender uma postura socialmente responsável, que contribuísse para manter a coesão e a continuidade dos valores da solidariedade e da equidade social. A melhor forma de honrar a sua memória é mostrarmos que esses valores estão vivos e distinguirmos quem os pratica numa demonstração de que não são letra morta, mas antes constituem o móbil de vida de imensas pessoas que os fazem acontecer todos os dias, pessoas que, de forma generosa e quantas vezes infatigável, conseguem atenuar as dificuldades que existem à sua volta.Apresentar a candidatura ao prémio proporciona uma forma de reconhecimento que, constituindo um dever social, nem sempre acontece. Candidatem-se, pois!