Congresso Internacional de Demências reflete o presente e o futuro da Gerontopsiquiatria
21/02/2018 11:58:33
Dr. Pedro Varandas, presidente da Comissão Científica do Congresso Internacional de Demências
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Congresso Internacional de Demências reflete o presente e o futuro da Gerontopsiquiatria

Começa já amanhã, dia 22 de fevereiro, o Congresso Internacional de Demências 2018, organizado pela Casa de Saúde da Idanha. O evento tem como objetivos refletir sobre os principais temas no âmbito da Gerontopsiquiatria ao nível da clínica e terapêutica, bem como aprofundar questões relativas aos cuidados e boas práticas. O Dr. Pedro Varandas é o presidente da Comissão Científica do Congresso, avançando, em entrevista à News Farma, as temáticas que estarão em foco.

News Farma (NF) | No final do presente mês de fevereiro, a Casa de Saúde de Idanha vai ser palco do Congresso Internacional de Demências, que vai presidir. Falamos de doenças que atualmente afetam mais de 50 milhões de pessoas em todo o mundo. Qual é o panorama da doença em Portugal e de que serviços dispõe o Serviço Nacional de Saúde (SNS) para tratar destes doentes?

Dr. Pedro Varandas (PV) | O panorama em Portugal em termos de prevalência da doença não deverá ser muito diferente da prevalência que se conhece a nível mundial. No entanto, não há qualquer estudo de âmbito nacional realizado na população portuguesa que permita avaliar precisamente o número de pessoas que sofrem de demências no país. O SNS não tem nenhuma especificidade de cuidados para tratar pessoas com demência. Naturalmente que as estruturas e dispositivos existentes terão que se adaptar a estas situações e ter uma resposta que, articulada com a resposta social, venha a melhorar a condição das pessoas com demência, bem como às suas famílias e à própria sociedade. Ao nível dos cuidados continuados do SNS, existe uma unidade piloto na zona de Fátima, que é a única que existe neste momento para apoiar pessoas com demência.

NF | Este Congresso traz a Portugal vários especialistas estrangeiros. Que contribuições podem trazer à discussão?

PV | O objetivo de convidar especialistas estrangeiros a Portugal é que estes tragam a sua experiência e o conhecimento científico associado a essa experiência. Teremos convidados provenientes de Espanha e um convidado do Japão. Este último vem-nos falar sobre a introdução da robótica como meio terapêutico das pessoas com demência, nomeadamente de robôs "inteligentes" capazes de imitar animais de companhia, com fins terapêuticos. 

NF | O programa, já disponível, é muito abrangente. Que expetativas tem para o debate científico?

PV | A abrangência do programa vai proporcionar aos participantes a atualização de conhecimentos em diversas áreas, a partilha de experiências e fazer o retrato daquilo que se está a passar neste momento em Portugal relativamente aos cuidados das pessoas com demência. Os congressistas vão ainda poder ter uma visão daquilo que será o futuro da terapêutica na área das demências.

NF | A sessão inaugural é dedicada ao tema “Espiritualidade e vulnerabilidade humana”. Que motivos justificaram esta escolha?

PV | A espiritualidade tem sido um tema progressivamente introduzido na prática médica e na relação estabelecida entre os doentes, os médicos e as instituições. A espiritualidade não significa religiosidade, mas sim proporcionar aos doentes, às famílias e aos cuidadores uma forma de transcender a questão material relacionada com a doença e com a vida. Assim, a espiritualidade pode ser um ponto de ajuda e de significado para a vida das pessoas doentes e todos os envolventes.

NF | Passando em revista o programa sobressaem, para além dos principais avanços na investigação, também os temas relacionados com os cuidados paliativos e novas abordagens associadas às potencialidades da tecnologia. O que é possível perspetivar nestas áreas, em Portugal, nos próximos anos?

PV | Apesar das dificuldades do país em termos de organização e de financiamento dos cuidados, Portugal tenta acompanhar a novidade e a inovação. A interação com a informática, o mundo virtual e a robótica constitui já hoje uma ferramenta importante na reabilitação e estabilização da doença, a par da inovação das terapêuticas farmacológicas e por certo da inovação ao nível da biotecnologia. 

NF | Tendo em conta a multidisciplinariedade que envolve esta área científica, a quem se destina Congresso Internacional de Demências? Quantos participantes são esperados?

São esperados 280 participantes entre médicos, enfermeiros, psicólogos, terapeutas ocupacionais, psicomotricistas, assistentes sociais e outros técnicos com interesse na Psicogeriatria.