“Portugal está, a pouco e pouco, a posicionar-se no mapa da Gastrenterologia europeia”
05/02/2018 16:50:06
Prof. Doutor Rui Tato Marinho, vice-presidente da Sociedade Portuguesa de Gastrenterologia
Partilhar por emailShare on Google+Partilhar no facebookPartilhar no linkedinPartilhar no twitter
“Portugal está, a pouco e pouco, a posicionar-se no mapa da Gastrenterologia europeia”

Foi recentemente reeleito membro da Assembleia Geral da United European Gastroenterology (UEG), sendo mesmo o primeiro português a ocupar o cargo. O Prof. Doutor Rui Tato Marinho esteve à conversa com a News Farma sobre esta “vitória” num “jogo de forças” europeu e mostra-se confiante na projeção crescente dos especialistas portugueses no quadro europeu: “Somos o país que envia mais trabalhos per capita, para a UEG Week, e há dois anos fomos mesmo o segundo que mais trabalhos submeteu, a seguir ao Japão”, revelou com orgulho.

News Farma (NF) | Foi recentemente reeleito membro da Assembleia Geral da United European Gastroenterology (UEG). A título pessoal de que forma encara esta nomeação que encerra, simultaneamente um desafio?
Prof. Doutor Rui Tato Marinho (RTM) | A nível pessoal acaba por ser uma vitória, porque é resultado de um processo eleitoral, caraterizado por um jogo de forças, quase como na Eurovisão. Quer isto dizer que os países de leste formam um grupo e o mesmo acontece com países do centro da Europa, portanto nem sempre é fácil um português penetrar nesta realidade. Ao mesmo tempo, é a primeira vez que um português é eleito para este cargo, por isso, é sem dúvida uma vitória.

Considero que este resultado espelha o esforço que temos feito, na Sociedade Portuguesa de Gastrenterologia (SPG) pela aproximação à UEG – temos promovido imensas atividades, convidámos especialistas internacionais e Portugal é, inclusivamente, o país que, per capita, mais trabalhos envia para a reunião europeia e internacional da UEG.

Outro argumento que utilizei a meu favor foi o crescente número de publicações internacionais que os portugueses têm produzido e publicado em revistas estrangeiras.

NF | Que relação existe entre a UEG e a Sociedade Portuguesa de Gastrenterologia (SPG)? Existem por exemplo projetos comuns ou protocolos entre as duas entidades?
RTM | Em primeiro lugar, Portugal participa ativamente na UEG Week e envia muitos trabalhos para serem apresentados. Como já referi somos o país que envia mais trabalhos per capita, e há dois anos fomos mesmo o segundo que mais trabalhos submeteu, a seguir ao Japão. Depois há outros projetos em que também temos estado envolvidos, por exemplo, a União Europeia tem bolsas de estágio para alguns centros europeus, para os quais o Serviço de Gastrenterologia do Centro Hospitalar de Lisboa Norte se candidatou e ficou como centro reconhecido.

Paralelamente, alguns de nós têm participado em reuniões de apresentação de trabalhos, projetos de mentoring, também já tivemos um stand na reunião da UEG e organizámos uma sessão na Assembleia da República para divulgar a mensagem da UEG. Portanto, tudo isto são formas de promover o networking internacional.

NF | A comitiva portuguesa é uma das maiores a marcar presença na UEG Week. Que oportunidades surgem desta relação de proximidade entre Portugal e a sociedade europeia?
RTM | No meu entender, a União Europeia de Gastrenterologia funciona, enquanto organização, de uma forma fantástica! São muito profissionais, há um grande investimento não só na qualidade científica da reunião, como também no networking, na componente social e no próprio site.
Falamos de uma grande organização que cobre 47 sociedade nacionais e mais de 20 mil médicos, e que tem, ao mesmo tempo, um enfoque muito grande nos jovens especialistas com comités próprios e uma grande variedade de projetos em que podem participar. Todas estas vertentes promovem esta interação entre os vários países e incentivam os jovens a produzir investigação científica.

NF | De que forma estas oportunidades podem ser potenciadas pela presença de um português, como é o seu caso, na Assembleia Geral da UEG?
RTM | Assim, acabamos por ter duas vezes por ano, e não só, um conhecimento mais direto dos projetos e a pouco e pouco somos envolvidos nas várias vertentes da UEG, por exemplo, na preparação do Congresso ou na discussão do plano estratégico. No fundo está em causa uma Sociedade que representa vários países e, sobretudo, muitas pessoas que faz o mundo circular através da sua mecânica. Esta interação é igualmente importante quando os jovens investigadores vão para centros de referência e trazem contactos e experiência para Portugal.

NF | No início deste ano, que expectativas tem para a Gastrenterologia portuguesa e europeia?
RTM | Um objetivo da SPG é ter uma reunião internacional em Portugal: temos pessoas com capacidade organizativa e a UEG está muito centralizada no centro da Europa, portanto gostaríamos de trazer a reunião para Portugal.

Por outro lado, queremos continuar a assistir à projeção dos portugueses, porque apesar da dificuldade temos conseguido lá chegar. Tivemos agora uma boa notícia: o Prof. Doutor Rodrigo Liberal, da Faculdade de Medicina da Universidade do Porto, que foi eleito uma rising star da UEG. A pouco e pouco estamos a posicionar a Gastrenterologia portuguesa no mapa europeu.